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Sou jornalista, atualmente residindo em Nova York, NY, EUA, com passagens em Rádio, Revista e Assessoria de Imprensa. Este blog contém notícias, artigos, crônicas, comentários, resenhas, reportagens e poesias.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

1822: O ano que o Brasil ganha a maioridade



O livro 1822 do jornalista e escritor Laurentino Gomes, é uma daquelas obras idealizadas num sonho e materializadas através de uma espécie de máquina do tempo, tamanha a riqueza de detalhes.

Aliás, desde o lançamento de 1808, em que o foco foi a chegada da família Real Portuguesa ao Brasil e seus desdobramentos, os livros de Laurentino, incluindo 1822 não se tratam dos velhos repetitivos livros de história.

Isso porque, longe de qualquer envolvimento ideológico, 1822 tem o seu valor no distanciamento do autor em não impregnar qualquer juízo de valor aos personagens ou á algum determinado fato histórico.

A história gira em torno dos acontecimentos que antecederam o “Grito do Ipiranga”, e os seus desdobramentos, após o Brasil romper definitivamente qualquer obrigação com Portugal. De acordo com o jornalista, muito sangue ainda seria derramado, principalmente na região Nordeste do país, para que os brasileiros pudessem ter liberdade e trilhar o próprio caminho.

O único envolvimento percebível, foi a determinação do autor em ir buscar nas fontes reais dos acontecimentos, a história como ela é, ou tentando chegar o mais perto disso possível, esse sim, um envolvimento válido e recomendável, inclusive para os historiadores.

E por falar em historiadores, graças a um jornalista os brasileiros despertaram o gosto pela história, tarefa que teoricamente seria obrigacão de historiadores com uma visão independente de momentos cruciais na história brasileira, como o  "Dia do Fico", o " Grito do Ipiranga" e a"Guerra do Paraguai", acontecimentos sempre contados de forma romanceada, ideologizada ou parcial nas escolas e até em universidades.

Mas voltando a 1822, um personagem marcante nesse processo de Independência do Brasil, foi sem dúvida José Bonifácio. Como intelectual e cientista, passou mais da metade da sua vida na Europa, talvez inconscientemente se preparando para um desafio ainda maior e uma nobre missão: ajudar na condução do processo de independência do novo país que oficialmente nascia: o Brasil.

Homem sábio e culto, soube conduzir de maneira maestral o conturbado processo de emancipacão de Portugal, em que os mais diversos interesses estavam em jogo, ora aconselhando o jovem Imperador D. Pedro I, ora ele mesmo assumindo a responsabilidade por decisões importantes.

Mas quem rouba a cena, devido ao seu temperemento forte é sem sombra de dúvidas. Dom Pedro I. Totalmente diferente do pai, D. João VI, este medroso por natureza e avesso á tomada de decisões, Pedro I impressiona pela bravura em enfrentar as mais diversas situacões, já que não hesitava em tomar decisões.

Dom Pedro I fez a Independência do Brasil, um país de dimensões continentais com apenas 23 anos, então imaginem ter a responsabilidade de administrar um país dessa extensão territorial e junto com todos os problemas que traziam consigo. Esse era o Brasil. E o jovem imperador ainda teve que defender os interesses da coroa portuguesa para que sua família não perdesse o poder em Portugal.

Inquieto, autoritário, teimoso, impulsivo, corajoso, decidido. Essa são algumas das principais características de Pedro I, chegando ao ponto de abdicar ao trono brasileiro após quase dez anos, para travar uma guerra contra seu irmão em solo português, por disputas familiares.

Como qualquer mortal, D. Pedro I tinha o seu ponto fraco: as mulheres. Teve duas esposas, muitos filhos, entre legítimos e bastardos e várias amantes, sendo a mais famosa delas a Marquesa de Santos. A relação tumultuada do Imperador com as mulheres talvez tenha contribuído para alguns fracassos politicos.
  
1822 foi um ano divisor de águas na história do Brasil e com certeza vai ser para quem se aventurar pelas páginas dessa obra. A sua visão sobre a história do Brasil vai ganhar um novo sentido, um sentido real.

Cássio Vitor, é jornalista, com passagens pela Rádio Excelsior da Bahia, Revista Mosaico e Assessorias de Imprensa.