| Tive o privilégio de assistir na MIT (Massachusetts Institute of Technology) o excelente documentário "O dia que durou 21 anos", do diretor Camilo Tavares. O filme, de 77 minutos foi seguido de um debate, entre espectadores e o autor do documentário. Mais importante do que se posicionar de um lado ou de outro, foi a capacidade do diretor em mostrar este acontecimento "O golpe militar de 1964" de maneira contextual, documental, mostrando os dois lados da história, tanto dos militares como dos integrantes da esquerda e compreender porque o Brasil teve essa grande fissura em sua democracia. O governo João Goulart naquele momento, se alinhava cada vez mais á China, União Soviética e Cuba, e isso era tido como uma afronta pelos militares linha dura, e pelos Estados Unidos, principalmente num momento em que o mundo se dividia entre dois grandes blocos: capitalistas e comunistas. Temendo uma transformação do Brasil, maior país do continente sul americano num governo comunista, como ocorreu com Cuba, durante a Revolução Cubana de 1959, em que os revolucionários liderados por Fidel Castro e Che Guevara tomaram o poder naquela ilha e a transformaram numa ditadura comunista, os militares brasileiros contaram com amplo apoio do governo norte americano, tanto financeiramente, como militarmente. Muito dinheiro foi investido pelos Estados Unidos no Brasil, em ações que visavam na opinião deles, frear a ameaça comunista, através de programas que incentivavam campanhas anticomunistas, pela TV, rádio, jornais, radionovelas e filmes, sempre fazendo oposição ao governo João Goulart. Mais algo que me chamou muito a atenção, foi o que eu classifico como o "Mensalão Ditadura". Isso mesmo, o pagamento de propina a parlamentares brasileiros pelo governo americano para que estes políticos apoiassem o golpe. Pelo menos é o que está documentado no filme. No campo militar, foi enviado uma frota naval americana, juntamente com aviões de caça ao litoral brasileiro para dar cobertura aos militares do Brasil em caso de resistência por parte do governo João Goulart. Esta informação foi confirmada pelo próprio embaixador americano no Brasil na época, Lincoln Gordon, anos depois. Mas quem foi Lincoln Gordon? Esolhido a delo pelo presidente americano John Kennedy no quadro de melhores ex alunos da Universidade de Harvard, Gordon foi mais do que um embaixador. Espionava e repassava toda a movimentação do governo João Goulart para a a alta cúpula do governo americano, e lado a lado com os militares brasileiros, ajudou a articular o golpe, que depôs o presidente João Goulart. Após o golpe, todo mundo já sabe, direitos políticos cassados, perseguição política e inclusive cassação de militares tidos como subversivos. O que era para afastar um presidente que de alguma forma, não defendia os interesses de uma parte de população, a presidência da república virou dança das cadeiras entre os militares. Ao invés de convocar eleições democráticas, uma vez que já tinham conseguido destituir João Goulart, decidiram se manter no poder, alternando a presidência de um militar para o outro, tendo o Brasil ficado sem eleicões diretas para presidência da república por vinte e um anos. Isso resultou em manifestações em massa em todo o Brasil, muitas delas democráticas, outras nem tanto, como grupos de extrema esquerda, a maior parte deles também sem compromisso com a democracia, uma vez que eram alinhados ideologicamente com ditaduras comunistas. De qualquer forma, trata-se de um filme revelador, que não toma partido de nenhum lado, e que contribui enormemente para entendermos melhor este período turbulento de nossa história recente. |
Quem sou eu
- Cássio Vitor
- Nova York, NY, United States
- Sou jornalista, atualmente residindo em Nova York, NY, EUA, com passagens em Rádio, Revista e Assessoria de Imprensa. Este blog contém notícias, artigos, crônicas, comentários, resenhas, reportagens e poesias.
sexta-feira, 4 de abril de 2014
O dia que durou 21 anos
terça-feira, 1 de abril de 2014
Pesquisa Ipea: Verdade, trapalhada ou má fé?
O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) noticiou recentemente que a maioria da população brasileira concorda que mulheres que usam roupas curtas "merecem ser atacadas", e que se as mulheres se "comportassem", haveria menos estupros.
O instituto entrevistou 3.810 pessoas em todas as unidades da federação durante os meses de maio e junho de 2013, sendo que a maioria dos entrevistados, cerca de 66,5% eram mulheres. A pesquisa apontou que em média, 65% concordaram que a mulher que usa roupa que mostra o corpo merece ser atacada.
Como assim a maioria da população brasileira concorda com ataque ás mulheres? Como assim, 66,5% dos entrevistados sendo mulheres e mesmo assim apoiam estes ataques? Como assim uma pesquisa realizada há quase um ano e só agora eles divulgam? Tem algo errado nesta história.
Estranho que só agora, logo depois daquele escândalo sobre assédio sexual nos metrôs brasileiros e em ano de eleições divulgam uma bomba dessas. Estranho a presidenTA Dilma deixando vários recadinhos no Twitter da jornalista Nana Queiroz, idealizadora da campanha #NãoMereçoSerEstuprada, como este aqui: "Quem dá voz á história somos nós, quem no cotidiano afirma, protege, e amplia a democracia no nosso país", afirmou a presidenTA Dilma em uma das mensagens deixadas na página do Twitter da jornalista.
Qual o interesse nisso? Será que é pra acirrar ainda mais a guerra entre os sexos, vitimizando ainda mais a mulher para ela ganhar a próxima eleição presidencial de bandeja, justamente com este discurso de vítimização? Até quando vão jogar mulher contra homem, negro contra branco, gay contra hétero, pobre contra rico, etc?
Tipo assim: Num universo de várias perguntas, justamente as duas principais não tinham uma terceira via, e além disso, a pergunta era construída de forma a induzir o entrevistado. Tanto é, que algumas pessoas perguntavam, não tem outra opção? Porque não concordo com nenhuma das duas, mas se tem que escolher entre uma e outra, fazer o que, marque essa aí.
Exemplo: Você acha que a mulher que veste roupa muito curta "merece ter atacada"? Veja a diferença agora: Você acha que a mulher que veste roupas muito curtas, está de alguma forma despertando a atenção de possíveis estupradores? Perceberam a diferença?
E mesmo esse "merece ser atacada" é muito subjetivo: Atacada como? Uma simples cantada é atacar? Vejo que jogaram tudo na mesma vala. É claro que nós, homens de bem queremos proteger as mulheres desse mal, mas não posso concordar com uma pesquisa fajuta dessas, que não ajuda em nada, só põe mais lenha na fogueira e joga um contra o outro.
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