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Sou jornalista, atualmente residindo em Nova York, NY, EUA, com passagens em Rádio, Revista e Assessoria de Imprensa. Este blog contém notícias, artigos, crônicas, comentários, resenhas, reportagens e poesias.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

O dia que durou 21 anos

Tive o privilégio de assistir na MIT (Massachusetts Institute of Technology) o excelente documentário "O dia que durou 21 anos", do diretor Camilo Tavares. O filme, de 77 minutos foi seguido de um debate, entre espectadores e o autor do documentário.

Mais importante do que se posicionar de um lado ou de outro, foi a capacidade do diretor em mostrar este acontecimento "O golpe militar de 1964" de maneira contextual, documental, mostrando os dois lados da história, tanto dos militares como dos integrantes da esquerda e compreender porque o Brasil teve essa grande fissura em sua democracia.

O governo João Goulart naquele momento, se alinhava cada vez mais á China, União Soviética e Cuba, e isso era tido como uma afronta pelos militares linha dura, e pelos Estados Unidos, principalmente num momento em que o mundo se dividia entre dois grandes blocos: capitalistas e comunistas.

Temendo uma transformação do Brasil, maior país do continente sul americano num governo comunista, como ocorreu com Cuba, durante a Revolução Cubana de 1959, em que os revolucionários liderados por Fidel Castro e Che Guevara tomaram o poder naquela ilha e a transformaram numa ditadura comunista, os militares brasileiros contaram com amplo apoio do governo norte americano, tanto financeiramente, como militarmente.

Muito dinheiro foi investido pelos Estados Unidos no Brasil, em ações que visavam na opinião deles, frear a ameaça comunista, através de programas que incentivavam campanhas anticomunistas, pela TV, rádio, jornais, radionovelas e filmes, sempre fazendo oposição ao governo João Goulart. Mais algo que me chamou muito a atenção, foi o que eu classifico como o "Mensalão Ditadura". Isso mesmo, o pagamento de propina a parlamentares brasileiros pelo governo americano para que estes políticos apoiassem o golpe. Pelo menos é o que está documentado no filme.

No campo militar, foi enviado uma frota naval americana, juntamente com aviões de caça ao litoral brasileiro para dar cobertura aos militares do Brasil em caso de resistência por parte do governo João Goulart. Esta informação foi confirmada pelo próprio embaixador americano no Brasil na época, Lincoln Gordon, anos depois.   

Mas quem foi Lincoln Gordon? Esolhido a delo pelo presidente americano John Kennedy no quadro de melhores ex alunos da Universidade de Harvard, Gordon foi mais do que um embaixador. Espionava e repassava toda a movimentação do governo João Goulart para a a alta cúpula do governo americano, e lado a lado com os militares brasileiros, ajudou a articular o golpe, que depôs o presidente João Goulart.

Após o golpe, todo mundo já sabe, direitos políticos cassados, perseguição política e inclusive cassação de militares tidos como subversivos. O que era para afastar um presidente que de alguma forma, não defendia os interesses de uma parte de população, a presidência da república virou dança das cadeiras entre os militares.

Ao invés de convocar eleições democráticas, uma vez que já tinham conseguido destituir João Goulart, decidiram se manter no poder, alternando a presidência de um militar para o outro, tendo o Brasil ficado sem eleicões diretas para presidência da república por vinte e um anos. 

Isso resultou  em manifestações em massa em todo o Brasil, muitas delas democráticas, outras nem tanto, como grupos de extrema esquerda, a maior parte deles também sem compromisso com a democracia, uma vez que eram alinhados ideologicamente com ditaduras comunistas. De qualquer forma, trata-se de um filme revelador, que não toma partido de nenhum lado, e que contribui enormemente para entendermos melhor este período turbulento de nossa história recente.





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